o nevoeiro

O Nevoeiro – 1ª Temporada | Crítica

Série vendida como baseada no conto homônimo de Stephen King não cativa e se perde nas suas próprias falhas

Criado por Christian Torpe. Com Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Gus Birney, Danica Curcic, Okezie Morro, Luke Cosgrove, Darren Pettie, Russel Posner, Frances Conroy, Irene Bedard, Deborah Allen, Holly Deveaux, Romaine Waite, Isiah Whitlock Jr., Bill Carr, Murlane Carew, Nabeel El Khafif.

É muito nebulosa a definição do que são os limites quando algo se diz “adaptado de” ou “baseado em”. Isso sempre gera uma série de discussões; se tentar ser totalmente fiel ao original, é sem criatividade e previsível, se inova, é desrespeitoso. Entretanto, há sempre o mínimo básico para serem consideradas histórias paralelas: o mesmo background, mesmos personagens e, quiçá, mesmos eventos.

Quando foi anunciado que O Nevoeiro seria adaptado como série televisiva, ao mesmo tempo, foi vendido com o selo de “baseado no conto de Stephen King”. Contudo, finda a primeira temporada, vê-se que tal anúncio foi descaradamente de má-fé, já que, a única coisa congruente entre ambos é famigerada névoa. Com personagens e locais diferentes, os próprios efeitos da névoa em si são completamente aleatórios, o que mostra que não, a série não é baseada na obra homônima.

o nevoeiro kevin

As personagens, vítimas de um roteiro fraco, não cativam em momento algum. Kevin (Spector) desde o início, tenta ser o herói e bom samaritano, mas nunca convence com sua capacidade. Como a trama se passa em uma cidade, há várias personagens coadjuvantes, deixando impossível de fazer um laço com o espectador.

Na verdade, a obra toda desperdiçou uma boa oportunidade no momento em que optou o caminho que seguiria. Ao ter três núcleos isolados e distintos (igreja, hospital e shopping), poderia ter sido trabalhado um lado que derivasse para o gênero estabelecido por The Walking Dead, isto é, esses núcleos formariam clãs que tentariam se impor entre si, sendo que a névoa seria apenas o pano de fundo, tal como os zumbis são para TWD. Ao invés disso, se fôssemos mater o raciocínio na ideia do comparativo, a obra derivou para um lado mais Fear The Walking Dead, ou seja, prezou os mais os laços familiares em meio à crise, do que a sobrevivência em si.

o nevoeiro

Com isso, o resultado foi uma temporada insossa, que, na tentativa de manter o mistério, empilhava questionamentos na cabeça do espectador. Sem trazer explicação aparente alguma para o nevoeiro, cada episódio virava uma tortura, já que, em princípio, nada se relacionava. Seria a névoa um evento da natureza? Divino? Estaria o exército por trás? Como o estupro se relaciona a isso? Todas as perguntas ficam sem respostas. Na verdade, esse quê de Lost que a série tentou trazer não se sustenta em segundo algum. Enquanto lá na ilha, os caminhos todos – nas primeiras temporadas – pareciam evoluir rumo à explicação, no nevoeiro, nenhum passo foi dado para isso.

o nevoeiro

Em meio a essa confusão, temos o CGI ruim e relaxado da neblina. Pelo amor de Cristo, não é como se não houvesse gelo seco ou qualquer outro tipo de fumaça para dar um efeito minimamente mais verossímil. Além disso, enquanto no conto, os demônios que viviam nela eram assustadores (voadores, gigantes, tentáculos, etc), na televisão temos insetos, animais e alucinações.

Produzida e transmitida nos Estados Unidos pelo canal Spike, no Brasil, a série ganhou o selo da Netflix, uma pena, pois muitos irão atribuir sua má qualidade à emissora de streaming. Com a demora para anunciar a renovação, possivelmente, a produtora esteja considerando se vale a pena insistir no erro. Se renovarem, que sejam mais coerentes.

Nota: 1/6 (Muito Ruim)

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servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
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