com amor, van gogh

Com amor, Van Gogh | Crítica

A magia transcendental que acontece quando a arte a óleo encontra a arte no cinema

Dirigido e escrito por Dorota Kobiela e Hugh Welchman. Com Douglas Booth, Jerome Flyn, Saoirse Ronan, Helen McCroy, Chris O”Dowd, John Sessions, Eleanor Tomlinson e Aidan Turner.

O maravilhoso da arte é como ela pode ser reinventada. No caso do cinema, este renasce a cada nova ideia ambiciosa de uma nova geração de cineastas que querem reacender a arte por ela mesma. Em Com amor, Van Gogh, esta ambição se torna realidade em um dos filmes que possivelmente entrará para a história do cinema.

A premissa do filme é simples: contar a história do pai da arte moderna. Baseado nas mais de oitocentas cartas escritas por Vincent Van Gogh, a seu irmão Theo Van Gogh, o enredo se desenrola após a morte do pintor, tendo como protagonista Armand Roulin, vivido por Douglas Booth, que tem como missão entregar a última carta escrita por Van Gogh a seu irmão, e no final acaba entrando em uma verdadeira investigação sobre a morte do pintor. O roteiro do filme se assemelha com alguns outros filmes sobre grandes artistas, como Amadeus e Minha Amada Imortal, contando a vida de Mozart e Beethoven, respectivamente. Portanto, não é seu ponto mais forte, sendo em si, mais um filme biográfico, contudo é a sua reprodução que é enaltecedora. Parafraseando o próprio pintor holandês, apenas através da pintura era possível, para ele, se expressar.

Tomando isto quase ao pé da letra, na verdade, o filme se trata de uma animação. Todo o trabalho dos atores pode ser comparado com o trabalho feito em Waking Life, do Richard Linklater, porém, a obra não foi feita da maneira esperada. Todo o filme foi feito em óleo sobre tela, estilo usado por Van Gogh, o primeiro filme na história realizado desta forma. Na verdade, estamos falando de, nada mais, nada menos, que 65.000 quadros, ou, nesse caso, frames, pintados por mais de cem artistas. Assim, somos expostos a reprodução contínua dos quadros, que aparecem na integra, convergindo e dando uma estética muito peculiar e original.

Aliando-se a estética monumental, a trilha sonora também é muito particular e casa muito bem com o resto da produção. Criada por Clint Mansell, famoso por seus trabalhos com Darren Aronofsky (como a marcante trilha de Réquiem para um Sonho), faz mais um grande trabalho, e, com certeza, estará na corrida pelo Oscar.

Como experiência cinematográfica, Com Amor, Van Gogh deve ser aproveitado ao seu máximo. Acima de tudo é uma obra única e uma verdadeira transcendência artística. Cabe a nós nos deleitarmos já que, possivelmente, isso não poderia ter sido realizada em outra época.

Nota:5/6 (Muito Bom)

Estudante de psicologia, amante do cinema em todas as suas nuances.
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