Cuphead | Crítica

Com um visual que homenageia os estranhos cartoons da década de 20 e 30, Cuphead traz uma belíssima surpresa, cujo maior destaque é o de aprender com seus erros e persistir, mais ou menos como na vida real

Lá em meados de 2015, em meio a grandes anúncios no mundo dos games como Horizon Zero Dawn, Dark Souls III, Fallout 4 e outros nem tão gloriosos como No Man’s Sky e Kingdom Hearts 3, um jogo muito simpático cativou o público com seu estilo peculiar. Esse jogo chamava-se Cuphead, e estava sendo desenvolvido por um pequeno estúdio de games chamado Studio MDHR.

cuphead

Muito bem recebido pelo público em 2015, em 2016 o game passou por algumas mudanças: O escopo foi aumentado, assim como a equipe que trabalhava no desenvolvimento. Sem maiores novidades, em 2017 o game recebeu novos trailers e foi finalmente lançado, surpreendendo a todos pelo acabamento da obra, o alto desafio e por ser um projeto que claramente foi feito com muita paixão por todos os envolvidos.

O game conta a história de Cuphead e seu irmão Mugman, que, em meio ao tédio da cidade de Inkwell, acabam perdendo suas almas em um jogo de dados contra o capiroto em pessoa, o Diabo. Para salvarem suas peles (ou porcelanas), o Belzebu oferece uma alternativa: os dois deverão coletar todas as almas que devem para o Sete-Peles. E essa premissa desenvolve o gameplay por si só, onde o foco são as batalhas contra chefes.

O design de personagens do game é extremamente carismático, e cada chefão chama muita atenção pelas suas características únicas e muito marcantes, em especial pelos ataques que acabam matando seu personagem. E isso vai acontecer várias e várias vezes. Cuphead é um game para pacientes, pessoas de reflexos rápidos e que aprendem com seus erros, e morrer faz parte da jornada.

Aprender os padrões de ataques de cada inimigo é extremamente necessário para passar de fase, que dividem-se em dois tipos: Batalhas contra chefes (grande maioria) e fases de plataforma (chamadas de Run’n Gun – Correr e Atirar). Os combates contra chefões podem ser tanto terrestres quanto aéreos, cada um com suas particularidades e desafios. Já as fases de plataforma servem para coletar moedas que podem ser utilizadas para comprar itens e melhorias para seu personagem, artifícios estes que facilitam muito nos combates contra as terríveis criaturas que estão em débito com o capiroto.

A jogabilidade fluida ajuda muito na tarefa de combater os chefes. Os controles – que respondem de forma natural aos comandos – devem ser executados de forma muito ágil para evitar cada projétil dos chefes, os quais, conforme são derrotados, mudam de aparência e de padrão de ataque. Tudo isso pode ser observado quando você é morto, pois uma animação mostra até onde você chegou na batalha contra o chefe, causando ira e motivação para derrotá-lo.

Visualmente, Cuphead é uma obra de arte. Completamente animado à mão, o game parece um desenho jogado, com filtros que simulam uma televisão antiga, fato que, em conjunto com as escolhas de design, usando cores, sons e toda a ambientação da época, tornam seu visual uma experiência única e muito ousada.

O game, claramente um trabalho meticuloso e realizado com muito amor pelo estúdio MDHR (cuja dedicação foi de corpo e alma pelos seus criadores), já é um grande sucesso tanto entre a crítica quanto jogadores, vendendo mais de 120 mil cópias em seus primeiros quatro dias de lançamento.

Entre dificuldade incrivelmente alta e um estilo único, Cuphead é, ao mesmo tempo, uma revitalizada e uma homenagem ao gênero de plataforma, retomando os desafios de jogos como Contra em uma identidade visual nunca antes vista.

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