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Death Note | Crítica

Mais uma obra oriental arruinada por Hollywood

Dirigido por Adam Wingard. Roteiro por Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides e Jeremy Slater. Com Nat Wolff, Lakeith Stanfield, Willem Dafoe, Margaret Qualley, Paul Nakauchi, Jason Liles, Shea Whigham.

Primeiramente, uma coisa tem que estar clara para o público que assistir este filme: ele é uma adaptação não literal da obra original criada pela dupla Tsugami Ohba e Takeshi Obata (também criadora de outros mangás de extrema importância para o mercado como “Bakuman”), ou seja, apesar de alguns fatores congruentes, ela tem uma liberdade criativa muito grande que poderia ter sido utilizada de uma maneira boa. Poderia…

L Lakeith Stanfield

A premissa é a mesma do mangá. Um caderno advindo de outra realidade que tem o poder da morte, ou seja, a pessoa que tiver o nome escrito nele irá morrer. Este livro com tremendo poder cai nas mãos de um adolescente que resolve fazer justiça com o artefato. Como qualquer adaptação de uma obra oriental para o ocidente eram necessárias mudanças, porém as escolhas foram horripilantes. Light (o adolescente), no original, um gênio, aqui tem uma certa infantilidade e megalomania, acredita ser este um Deus e está preparado para fazer tudo para realizar seus objetivos.

O ator intérprete de Light, Nat Wolff, não consegue convencer com o personagem, que foi construído de uma forma muito simplista se comparado ao original. Mas isto não é culpa apenas do ator, todo o cast do filme atua de forma mecânica, resultado de um roteiro de péssima qualidade, com diálogos clichês, algumas vezes vergonhosos, dignos da telenovela que o filme realmente é.

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Grande parte da qualidade do anime vem do duelo intelectual do protagonista versus o detetive L (Stanfield), em uma verdadeira caçada ao assassino “Kira”. No filme, vemos apenas uma pequena obsessão por parte do detetive, que, apesar de frio, mostra um desequilíbrio emocional que não condiz com o personagem. O roteiro prioriza a relação de Light e Mia, no original Misa, do que no duelo. Na verdade é quase inimaginável nesta obra Light tentar competir com o detetive.

Grande parte do erro do filme foi ele não saber suas intenções. Apesar disto ser proposital, o diretor Adam Wingard, em entrevistas, disse que gostaria de misturar vários gêneros dentro do filme, mas isto deu um ar “anticlimático” para várias cenas, deixando-as piegas em alguns momentos, em outros, vergonhosas – a cena da primeira aparição de Riuk, em que o assustador deu espaço pro cômico, foi ridícula.

death note

Falando do ceifador, Defoe, através de captura de voz, é a melhor coisa de todo o filme. A partir de seu timbre, conseguiu fazer um Riuk sombrio e assustador. Pena que no filme foi utilizado de uma forma fraca.

Outra coisa boa do filme é sua reviravolta no final, mas que não salva o resultado final, que foi um enorme erro. Mais um filme baseado em uma obra oriental que não vinga, a única coisa boa que podemos trazer do filme é a vontade de assistir ou reassistir o anime, e, de repente, apagar a tragédia que foi esse filme.

Nota: 2/6 (Ruim)

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Estudante de psicologia, amante do cinema em todas as suas nuances.
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