O Destino de Uma Nação | Crítica

Em filme morno, Gary Oldman, auxiliado por uma maquiagem impecável, eleva o conceito do que é atuar

Dirigido por Joe Wright. Roteiro de Anthony McCarten. Com Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James, Ronald Pickup, Stephen Dillane, Richard Lumsden, Nicholas Jones, Samuel West, David Schofield.

Winston Churchill é um dos personagens mais icônicos da história contemporânea. Político, historiador, ganhador de Prêmio Nobel de Literatura, o estadista foi o Primeiro-Ministro que liderou o Reino Unido nas amarguras da Segunda Guerra Mundial. Famoso por suas idiossincrasias o personagem foi interpretado inúmeras vezes nas películas; duas apenas esse ano com Brian Cox (Churchill) e, por último, Gary Oldman, em O Destino de Uma Nação.

A trama do filme acompanha um momento muito específico na vida do político. A obra narra os primeiros trinta dias de seu governo, desde sua posse, até o momento em que em que dá seu famoso discurso We Shall Fight on the Beaches perante à Câmara dos Comuns. Durante esse período, Churchill precisou lutar contra a descrença do Rei George VI, as maquinações de rivais políticos, além de ter tomado a difícil decisão sobre a evacuação dos soldados britânicos na praia de Dunquerque (sim, aquele filme do Nolan).

O grande destaque do filme definitivamente é na atuação estupenda de Oldman e sua respectiva maquiagem. Hábil em capturar não só os maneirismos, mas também o timbre da voz de Churchill, o ator – que já emocionou nos papéis de Drácula, Beethoven e Sirius Black – mostra-se um verdadeiro camaleão, de modo que fica absolutamente irreconhecível no papel. Ben Mendelsohn consegue, também, dar o devido suporte ao ator, de sorte que seus diálogos (embora muito expositivos), são os grandes momentos do fraco roteiro.

O Destino de Uma Nação é o favorito para ganhar o Oscar de Melhor Maquiagem.

Aliás, a fotografia do filme é muito eficiente no momento em que retrata os ambientes de forma escura e esfumaçada, o que causa constantemente uma sensação de sufoco. A poeira, constantemente realçada pelos feixes luminosos que adentram o parlamento, traça em paralelo com a nebulosidade londrina e a fumaça da guerra que se aproxima.

Assim, a beleza estética e a excelência técnica dos atores, acabam abafando um roteiro fraco, ineficiente em reverberar a profundidade do momento vivido, e que tenta compensar isso através de diálogos pseudoeloquentes, que narram coisas já absorvidas pelo expectador. O peso da decisão de sacrificar quatro mil soldados para salvar os trezentos mil de Dunquerque é apenas pincelado, sem nenhum impacto narrativo.

Ben Mendelsohn como Rei George VI

A importância histórica do Primeiro-Ministro seduz o cinema a cada vez mais a retratar sua vivência. Churchill, embora extremamente conservador e defensor da higiene racial (parte discretamente omitida ao mostrar o premiê dialogando de forma emocionante com um negro no metrô) foi, quem sabe, o indivíduo mais importante no levante contra Adolf Hitler, ao iniciar as tratativas para ingresso dos Estados Unidos – então liderado pelo Presidente Franklin Roosevelt – em apoio aos Aliados.

O Destino de Uma Nação é o maior exemplo de que obras cinematográficas dificilmente serão homogêneas. A atuação fenomenal de Gary Oldman e a maquiagem utilizada são evidentes muletas que amparam um filme que, se não as tivesse, seria no máximo ordinário.

Nota: 4/6 (Bom)

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servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
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