os guardiões arsus

Os Guardiões (Zaschchitniki) | Crítica

Filme dos “Vingadores Russos” está bem longe de convencer, mas nos garante alguma diversão com um urso gigante carregando uma metralhadora nas costas

Dirigido por Sarik Andreasyan. Roteiro por Andrey Gavrilov. Com Anton Pampushnyy, Sanjar Madi, Sebastien Sisak, Alina Lanina, Valeriya Shkirando, Vyacheslav Razbegaev, Stanislav Shirin, Aleksandr Komissarov, Nikolay Shestak, Mila Maksimova, Igor Maslov.

Em meados de 2016, começou a circular na internet um trailer de um filme russo que tratava sobre um grupo de heróis que precisava unir forças contra um mal comum. O furor, com o tempo, esfriou, e nunca mais foi falado sobre o dito filme dos “Vingadores Russos”. Pois bem, no início de 2017, houve uma nova implosão cibernética: não se bem por que cargas d’água, mas esse filme iria ser transmitido nas salas de cinemas brasileiras. Bem que ele poderia nem ter vindo.

Na trama, durante o período de Guerra Fria, o governo soviética criou uma organização chamada Patriota, a qual criaria supersoldados para serem enviados nos focos de conflito. Anos depois, uma das cobaias se volta contra a Rússia, obrigando o governo a procurar os demais soldados, que passaram anos no anonimato, para vencer o grande inimigo.

os guardiões khan

Quanto aos poderes dos ditos Guardiões não há nada digno de nota. Arsus (Pampushnyy) é um cientista que vive isolado na Sibéria que pode se transformar em meio-urso, ou um urso completo (nunca pensei que falaria isso); Khan (Madi) é um ninja que usa duas lâminas de manuseio extremamente incoveniente e que pode se teleportar; Ler (Sisak) controla minérios e lidera o time; e Kseniya (Lanina) pode ficar invisível.

Cheio de clichês, o filme, muitas vezes parece um clipe musical, tamanha a quantidade de movimentos coreografados e encaradas ao telespectador. Essa pseudo quebra da quarta parede (nunca há uma conversa direta com a plateia) dá ao trabalho um tom demasiadamente infantil e amador, de modo que, já em meio ao filme perdemos totalmente o respeito pelo conjunto da obra. Faltou-lhe o nexo de causa que ligue sua atmosfera às técnicas de filmagem utilizadas.

os guardioes

Outra ponto que não favorece o trabalho é a maquiagem escolhida para representar o vilão, Stanislav Shirin (Kuratov). Para justificar suas habilidades, lançou-se mão de braços mecânicos e tubos conectando partes de seu corpo, mas não só isso, todas as próteses que formaram seus músculos, são muito evidentes – muitas piadas em relação ao six pack dele. O rosto, pateticamente deformado, lembra uma mistura de bebê com Jason Voorhees, antes de se tornar o apodrecido psicopata. Assim, é criado um vilão com cara de panaca, incapaz de transmitir a verdadeira ameaça que representa.

De ponto positivo, há apenas o urso de metralhadora – que é mais bem-humorada pela nossa incredulidade do que pela piada em si, já que é algo levado a sério no trabalho. Com um CGI bem pobre, há inclusive erros graves de continuidade dignos de Hulk (em uma cena a transformação rasga as calças e depois elas aparecem inteiras).

Repleto de boas intenções, o filme veio com o condão de mostrar que o cinema russo está ciente das atuais tendências do cinema mundial. Incapaz de satisfazê-las, infelizmente, o trabalho pende entre o ruim e o patético por se levar a sério em demasia. Pior de tudo é que o filme foi tão confiante que as cenas pós-créditos garantiram uma continuação. Vem mais clipe por aí.

Nota: 2/6 (Ruim)

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servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
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