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The Tick – 1ª Temporada – 1ª Parte | Crítica

Sátira do gênero de super-heróis cativa com carisma do protagonista que com as infinitas possibilidades que abre perante o espectador

Criada por Ben Edlund. Dirigida por Wally Pfister, Romeo Tirone, Sheree Folkson, Lev L. Spiro. Com Peter Serafinowicz, Griffin Newman, Valorie Curry, Ryan Woodle, Brendan Hines, Yara Martinez, Scott Speiser, Jackie Earle Haley, Michael Cerveris, John Pirkis.

Se pudéssemos definir qual o melhor elemento de uma paródia, esse seria a possibilidade. Com um leque enorme a frente, a paródia nunca se limita a cânones ou resoluções críveis, o absurdo é elementar e, por isso, incontestável. Desde que surgiu, em 1986, The Tick dialogava constantemente com os quadrinhos e os desenhos do gênero, tornando-se um símbolo da sátira.

A origem do super-herói nunca foi explicada da mesma forma em suas mídias. Seja como um louco que escapou de um hospício (quadrinhos), ou um alienígena do espaço (primeira série), a origem do herói sempre foi envolta de mistério. Na trama, em um universo em que super-heróis e vilões são uma realidade, o contador Arthur (Newman) percebe que um grande vilão no passado está vivo. À medida em que se aprofunda nesse mistério, Arthur conhece The Tick (Serafinowicz), um super-herói azul com super-força e aparentemente invulnerável, cujo passado é um mistério.

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A melhor forma de analisar a série de 2017, é estabelecendo um comparativo com a falecida série de 2001. Em 2001, o trabalho era feito muito mais no intuito de homenagear os desenhos e os quadrinhos. Outrora as cenas era visivelmente feitas em estúdio, com fundos descaradamente falsos e efeitos sonoros previsíveis, agora, podemos ver ambientes abertos, melhor qualidade de efeitos visuais, e uma série – embora sátira – tentado aparece mais verossímil, com uniformes adaptados à mídia televisiva (em 2001, os vestuários dos heróis era feito de pano e silicone, sem enxertos plástico e/ou tecidos de aparência mais tecnológica).

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The Tick já havia sido adaptado pela FOX, em 2001.

Enquanto antigamente o carrapato azul era vivido por Patrick Warburton, agora é vivido por Peter Serafinowicz, ambos de vozes profundas, como exige o personagem. Warburton conseguia era fisicamente mais fiel aos desenhos e conseguia destacar muito mais o semblante louco do herói, mas Serafinowicz, embora mais esguio, é muito mais carismático com seu olhar plácido e semblante alegre, que estabelece um bom contraste com o poder do herói azul.

Arthur agora é vivido por Griffin Newman, enquanto no passado era interpretado por David Burke. Nesse ponto, houve um certo passo para trás. Enquanto Burke conseguia ser mais fiel ao cânone, com sua covardia e bom coração (e uniforme igual ao desenho, diga-se de passagem), o Arthur de Newman é somente irritante. A covardia do personagem agora simplesmente dá lugar à sua tosquice.

A presença de alguns personagens foi sentida; claro, trata-se da primeira parte de uma temporada apenas, muito mais deve vir no decorrer da obra, mas em 2001, a obra não tinha medo de introduzir heróis engraçadíssimos, como Batmanuel ou a Capitã Liberdade – seu constante flerte é a melhor metáfora da imigração latina na América do Norte, que já vi.

Contantemente provocando outros heróis, seja da Marvel ou da DC, The Tick faz piadas com o alcoolismo de Tony Stark ou o fato de Bruce Wayne ser um playboy. Nem mesmo Superman escapa com uma cópia escrachada: o Superian. O mundo de super-heróis rotineiros tenta traçar um paralelo com Watchmen, mas enquanto esse era visto do viés pessimista, em The Tick, eles são vistos como pseudocelebridades, conseguindo caminhar tranquilamente nas ruas, mas sendo atacados por um eventual fã pedindo autógrafos.

Feita com total leveza e descompromisso, The Tick é feita para fãs de super-heróis que não se importam de vê-los avacalhados ou debochados. Completamente apegada ao nonsense a série mistura a piada pronta e a improvisada, com um pouco de violência exacerbada. A típica série que não deverá ter uma legião de fãs xiitas, mas com certeza agradará muita gente.

Ambas as séries estão disponíveis no serviço de streaming Amazon Prime Video.

Nota 4/6 (Bom)

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servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
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