thor ragnarok

Thor: Ragnarok | Crítica

Muito colorido, Thor vive sua melhor aventura solo nos cinemas, mostrando potencial para seguir no panteão após a Fase 3

Dirigido por Taika Watiti. Roteiro por Eric Pearson, Craig Kyle e Christopher Yost. Com Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Benedict Cumberbatch, Tadanobu Asano, Zachary Levi, Ray Stevenson.

De todos os heróis do MCU adaptados ao cinema, Thor sempre foi o mais contestado. Seja no Thor, de Kenneth Branagh, ou em Thor: O Mundo Sombrio, de Alan Taylor, o Deus do Trovão sempre pareceu estar aquém de seu verdadeiro potencial, perdendo-se em tramas amorosas e aventuras insípidas. Tamanha é falta de convicção que, em seu terceiro filme, Kevin Feige traz um terceiro diretor, cujo estilo destoa demais dos dois anteriores; era chegada a hora de Taika Watiti, e isso não poderia ser mais acertado.

Em seu último filme dessa trilogia, Thor precisa enfrentar Hela, a Deusa da Morte e primogênita de Odin, a qual pretende ir muito além dos Nove Reinos. A trama simplista serve para fazer o que se espera: dar liga aos eventos que se sucedem. Com isso, entendemos como Thor vai parar em Sakaar e por que o Hulk aparece.

thor ragnarok hulk

Hemsworth definitivamente encontrou sua melhor abordagem como asgardiano. Falhando um pouco quando lhe era exigido o elemento dramático, o ator demonstra um excelente timing cômico auto-debochado e depreciativo. Hiddleston também cresce como Loki no momento em que se despe da figura de grande antagonista e incorpora o papel de quase vilão, indo um pouco além do clássico anti-herói. Ruffalo (que funciona apenas enquanto Gigante Esmeralda) e Thompson não conseguem acompanhar os irmãos asgardianos e acabam lançando mão de caras e bocas desnecessárias para manter a caricatura.

Um dos personagens mais engraçados, com certeza, fica por conta de Korg, feito por captura de movimento do diretor, que busca o famoso humor sincero de Drax, mas, dessa vez, um pouco mais singelo e inocente.

thor ragnarok valquiria

Se por um lado os dois primeiros filmes sempre tentaram dar ao Thor certo impacto emocional e falharam, agora, Watiti definitivamente desiste disso. Na verdade, a escolha é inteligente a partir do momento em que, fazendo o filme funcionar com a engrenagem da comédia, os poucos momentos introspectivos acabam funcionando sem muito esforço por destoarem do contexto.

Entretanto, essa independência proclamada por Watiti traz consigo alguns ônus que prejudicam o universo cinematográfico. Ao mesmo tempo que inova trazendo um tom divertido – coisa já feita pelos Guardiões da Galáxia, então nem é tanta novidade assim -, o diretor se mostra incapaz de fazer mudanças cruciais no MCU, tal qual os irmãos Russo o fizeram. A autonomia do roteiro acaba por frustrar a expectativa de muitos dos fãs. Já nos primeiros cinco minutos, o protagonista faz um monólogo para esquecermos as Jóias do Infinito. Portanto, o diretor tira o pé do acelerador e tenta fazer um filme mais impessoal; tão distante que descarta (ou não mostra), sem o mínimo de consideração ou importância, atores e atrizes coadjuvantes.

thor ragnarok heimdall

Jeff Goldblum e Cate Blanchett foram as grandes sacadas da obra. Embora caindo na velha fórmula de tentar conquistar o universo, a Deusa da Morte mostra ser uma verdadeira ameaça com sua frieza maquiavélica. Já o Graõ-Mestre parece que foi idealizado com Goldblum em mente, suas suas maneirices e idiossincrasias fazem dele uma das escalações mais acertadas de todo o universo cinematográfico. Ele com certeza precisa voltar. Além disso, somos contemplados com cameos engraçadíssimos de Matt Damon e Sam Neill.

A trilha sonora faz homenagem a toda a jornada do Thor, o que mostra seu peso consolidado na franquia como um todo. Passeamos desde Thor: O Mundo Sombrio, a Vingadores: A Era de Ultron e começamos e terminamos com Immigrant Song, de Led Zeppelin (casualmente também dos anos setenta. Guardiões feelings).

Ousada, mas nem tanto; assim poderíamos definir a reinvenção de Thor ao fim de sua trilogia. O asgardiano definitivamente encontrou seu caminho nas mãos de Taika Watiti, mas poderia ter feito tão mais que terminamos o filme com um gosto agridoce na boca. Thor: Ragnarok é um dos filmes mais divertidos da Marvel e mostra um potencial até então inimaginável: fazer o Deus do Trovão ter seus filmes no rol dos mais esperados do ano.

Nota: 5/6 (Muito Bom)

Leia mais sobre Thor: Ragnarok

thor ragnarok hela

servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
(Visited 321 times, 31 visits today)
0

Post Author:

servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.