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Wet Hot American Summer: Ten Years Later | Crítica

Comédia nonsense da Netflix supera as adversidades e nos entrega uma produção sincera e modesta, com elenco estelar

Criada por Michael Showalter e David Wain. Dirigida por David Wain. Com Marguerite Moreau, Zak Orth, Michael Showalter, Sarah Burns, Mark Feuerstein, Michael Ian Black, Janeane Garofalo, Ken Marino, Marisa Ryan, Adam Scott, Amy Poehler, Paul Rudd, Josh Charles, David Wain, Elizabeth Banks, Lake Bell, Alyssa Milano, Joe Lo Truglio, Jai Courtney, John Early, Chris Pine, Jason Schwartzman, Christopher Meloni.

Em 2001 David Wain redefeniu a expressão “golpe de sorte”. Em Mais um Verão Americano, o diretor teve a sorte de trabalhar com uma constelação de atores de comédia que seriam, mais tarde, consagrados no ramo. Claro, Paul Rudd, Amy Poehler e Bradley Cooper (aqui, substituído por Adam Scott, com uma justificativa sensacional), naquele momento, não tinham metade da fama que possuem agora, mas, de certa forma, suas ascenções serviram para estabelecer fracassado filme em um dos maiores cults de besteirol do século XXI.

Esse tipo de comédia sempre foi mais difícil de ser apreciada pelo grande público. Pois, no momento em que flerta com o surreal e com o inesperado, ela nos exige certa abstração do crível e do factual. Assim, ao invés de somente oferecer informação, ela nos pede em troca para entrarmos no ritmo e aceitarmos o que tiver que vir.

A pegada continua a mesma, quarentões e cinquentões que, sem vergonha nenhuma, tentam parecer com vinte e poucos anos. A trama, novamente, envolve o salvamento do Acampamento Firewood das mãos do ex-presidente Reagan (Showalter), que, agora, está aliado ao atual presidente, George W. Bush (Black), e Clinton (Wain), ainda governador do Arkansas.

Na verdade, tanto no filme como nas duas temporadas, a trama nunca deverá ser a maior preocupação do espectador, que saboreia sem pretensão os minutos em tela. O nonsense é um elemento nativo desde o filme original, então, podemos esperar personagens inseridos na história descaradamente como se já fossem parte do acampamento, bombas atômicas, planos mirabolantes e latas falantes.

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A idade dos personagens, embora (um pouco) mais condizente, ainda é motivo de piada e gags devido à diferença com a idade dos atores propriamente ditos. Muito dos elementos, então inusitados em First Day on Camp agora perderam a surpresa, seu maior elemento de narrativo. Assim, as cenas em que a lata fala, não chocam mais tanto, por exemplo.

Os artistas, embora muito talentosos, sofreram com o conflito das agendas de suas profissões. Com isso, são raras as cenas com todo o elenco em tela, o que tira um pouco o impacto do trabalho. Assim, o diretor lança mão do recurso de estabelecer os personagens em diversos núcleos distintos que, por vezes, se unem. Entretanto, não foram apenas as personagens que evoluíram, a própria série, hoje, mostra-se bebendo de outras fontes que outrora fora apenas filmes de acampamento. Agora, toda a trama que envolve Ben (Scott), McKinley (Black) e a babá (Milano) é referência claríssima a A Mão que Balança o Berço, tal como o arco de Coop (Showalter) lembra, ao fim, As Aventuras de Pi.

Renovando-se pontualmente a série reitera sua ideia que é feita apenas para descontração: dos atores e nossa. Para ter certeza disso, basta ver a serenidade que todos atuam, sem a mínima pressão. Todos estão lá porque querem e não para receber um excelente cachê. A diversão deles gerou muitos sorrisos; não seria ideal se todos os trabalhos fossem assim?

Nota: 4/6 (Bom)

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servidor público. co-criador da Catacrese. amante das telas e das páginas. cinéfilo. cinemófilo. cinemafílico. cinemático. cinestésico. cinemafóbico. wannabe writer.
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